Esta conversa contém resposta, possui 1 pessoa e foi atualizada pela última vez por  Deborah 6 meses, 3 semanas atrás.

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    Deborah
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    Acredito que vivemos em uma época em que os zumbis estão “famosos”, são considerados interessantes, mas talvez não percebamos a semelhança que temos para com eles. Guilherme Lito menciona que entramos no metrô e o que vemos não são pessoas, são zumbis. Percebo essa triste realidade, principalmente quando poetas ou grupos musicais entram nos vagões e a maioria das pessoas parece apática, indiferente. O que aconteceu com os sorrisos? Com a sensibilidade e até mesmo o mexer os pés no ritmo da música?
    E tais zumbis são originados a partir de uma rotina insana que vivenciamos. E a Escola, como constituinte da sociedade, também tem contribuído para a formação de novos/outros zumbis:rotinas infantis exacerbadas e inúmeros diagnósticos de TDAH invadem cada vez mais nossas vidas enquanto o perceber-se está muito distante. A supervalorização dos dois pilares mencionados no segundo vídeo, o intelectual e o econômico, não deixam espaço
    para o desabrochar da inteligência emocional, não é a prioridade do momento (infelizmente).
    Nessa perspectiva, quando propus uma leitura de imagem numa atividade em sala de aula e perguntei para as crianças (9 anos) o que sentiam quando viam a imagem, a maioria não soube responder, não conseguiram entender a pergunta. Como se me perguntassem: sentir, o que é isso? O certo e o errado, essa dicotomia tão presente na escola, na supervalorização do ser racional, prejudica a construção do ser da emoção, do sentir, do perceber (a si e o outro).
    Sendo assim, é possível que estejamos presenciando e vivenciando diariamente as “fábricas” de produção de zumbis? De hospícios ou prisões como Foucault já relacionou a escola, ela talvez seja, hoje, uma fábrica de dicotomias, produtora de zumbis (mas também seu produto).
    Refletir sobre o currículo (não somente como “grade curricular”, mas o que é escola? Qual a minha concepção de criança? Qual a minha concepção de educação?) é de suma importância para nós educadores. Percebo que “currículo” tem sido uma palavra interpretada de maneira tão limitada pelas pessoas… E como pedagoga, mesmo que em alguns momentos eu esteja me sentindo um zumbi – instantes que são, infelizmente, naturalizados pelos próprios docentes (a exaustão é “normal”), preciso acreditar na colaboração que todos os educadores têm para com um sociedade de seres humanos, não almas que vagam apáticas pelo metrô.

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