O ADOLESCENTE E A MEDITAÇÃO

 

                     Pedro Câmara. 1201 -2012

                     Este trabalho tem por objetivo apresentar e desmitificar a prática da meditação em adolescentes, bem como tratar de seus benefícios. Para tal foram consultados diversos websites, citados nas referências.

                      A prática da meditação pode ser definida em poucas palavras como aquela na qual se treina a mente, num processo de relaxamento extremo mas consciente. A palavra deriva do verbo em latim meditari, que significa “pensar, contemplar” e é comumente usada para traduzir do sânscrito o nome que leva a prática budista e hinduísta dhyāna, o que é responsável pela ideia que boa parte da população mundial tem de “meditar”.

                     A meditação faz parte da história humana desde o princípio e há referencias a ela nos mais antigos documentos. Siddhartha Gautama, em cujos conhecimentos é baseado o budismo, viveu entre os séculos VI e IV a.C, para se ter uma ideia.

                    Comumente associada a religião, a meditação pode também consistir numa busca interior, sendo atualmente utilizada por muitos para simplesmente desestressar, numa fuga dos problemas contemporâneos. Muitos praticantes meditam pelo prazer de se “desligar do mundo” e ter um tempo para nada.

                     O que para os workaholics (os dependentes de trabalho) pode parecer um absurdo, uma perda de tempo, mostra-se muito benéfico na realidade. O estresse tem sido cada vez mais associado a doenças sérias nos sistemas cardiovascular, imunológico, nervoso, gastrointestinal, respiratório e endócrino. Combatê-lo garante uma imensamente melhor qualidade de vida.

                     O ser humano atua, em grande parte, guiado por suas emoções. Alguém que não teve uma boa noite de sono, brigou com outrem, ou não conseguiu se alimentar direito tem grandes chances de se irritar, e passar o dia ou a semana inteira desta maneira, o que pode ter infelizes consequências – desde a perda de compromissos a demissões. Em casos extremos, normalmente causados por estresse de longo prazo ou muito intensos (discriminação, doença, morte de entes queridos etc.), o estresse pode levar a depressão e até ao homicídio ou suicídio.

                     Muitos adultos deprimidos têm histórico de estresse e ansiedade na infância e/ou adolescência, o que mostra a necessidade de combatê-los desde cedo. Por este motivo tem-se utilizado a meditação como terapia para jovens com distúrbios emocionais.

                     Podemos ressaltar a adolescência como o período mais conturbado emocionalmente da vida de uma pessoa. É quando, num período relativamente curto de tempo, a criança passa por diversas novas experiências, amadurece e por fim torna-se legalmente independente dos pais. E, atualmente, é também um período decisivo para a vida do jovem devido ao vestibular, normalmente prestado pelos que têm de 16 a 18 anos. A etapa, que precede a faculdade e que define o futuro profissional de quem o presta, é lembrada por muitos como “a pior fase da vida”.

                     Tendo em vista a pressão emocional nessa fase da vida, alguns pesquisadores têm estimulado o ensino de técnicas de meditação na escola, que tem se provado muito eficaz ao longo dos anos.

                     Algumas vertentes da meditação, como a Ráshua, são voltadas para o autoconhecimento, essencial numa fase onde o jovem tem que fazer uma decisão tão importante: qual será sua profissão. Para outros, meditar é simplesmente parar de pensar, que também é de grande valia quando o adolescente está preocupado com trabalhos para entregar, provas que virão, testes nos quais não foi bem etc., situações típicas na vida de um vestibulando.

                      Estudos demonstram que a meditação não somente reduz o estresse e a ansiedade, mas aumenta a felicidade, flexibilidade e autoestima, além de melhoras significativas no desempenho acadêmico e habilidades de socialização. Na Maharishi School, em Iowa, nos EUA, os estudantes aprendem num ambiente que a instituição chama de  “livre de stress”. E neste ambiente os alunos demonstram altos níveis de sucesso nos estudos em geral, mas também nas artes e atletismo.

                     A meditação, relata a escola americana, quando praticada regularmente, reduz os sintomas de estresse, depressão e tédio, e, de acordo com o neuropsicólogo William Stixrud e o psiquiatra Christopher Clark, inclusive melhora os hábitos alimentares, combatendo outro problema corriqueiro de jovens – a obesidade e a falta de nutrientes essenciais. Praticantes de meditação relatam se sentirem mais em sintonia com seus corpos, e passam a escolher alimentos e atividades mais saudáveis. Clark crê inclusive que a “meditação transcendental pode ser a coisa mais importante que alguém com excesso de peso pode fazer por sua saúde”.

                      A meditação transcendental, que consiste em sentar-se com os olhos fechados durante aproximadamente vinte minutos, tem, comprovadamente, muitos benefícios, como a melhora no foco, na criatividade e controle emocional, todos virtudes que muitos jovens tentam alcançar, muitas vezes sem sucesso.

                     No Colégio Pedro II do Rio de Janeiro é desenvolvido um projeto de meditação laica na educação, onde a atividade é de responsabilidade do departamento de educação física. Lá os alunos meditam em grupo uma vez por semana, e os resultados se mostram surpreendentes.

                    Muitos optam por fazer meditação na instituição carioca por não gostarem de atividades físicas intensas, ou por não haver mais vagas em outras atividades de educação física, como vôlei ou futebol. Entretanto, a maioria arrasadora dos alunos que optam por meditação acabam, no final do ano, surpresos com os benefícios que obtiveram através da prática. Um estudante do colégio relata que pensava que meditação seria “chato por ser muito parado”. Entretanto, diz ele, surpreendeu-se “ao conseguir meditar na primeira aula” e acrescenta que lhe trouxe “muitos benefícios como melhora da atenção e mais calma nas outras aulas e no dia-a-dia”.

                     Vale transcrever o objetivo do projeto como consta no site da professora responsável, Claudiah Rato: “apresentar a prática da Meditação Laica como estratégia pedagógica curricular, surgida legitimamente para que o aluno obtenha um maior controle emocional dentro do contexto do ensino médio e, assim, contribuir para que a escola seja um lugar efetivo de formação de valores para além da aquisição de conhecimento”.

                      Em suma, a meditação traz diversos benefícios a qualquer indivíduo que a pratique. Ela pode ser praticada por pessoas de qualquer idade e religião, e é especialmente recomendada para adolescentes, que normalmente tem que lidar com uma pressão maior que a normal, devido às enormes transformações que ocorrem nesse período da vida, e também aos temidos vestibulares. Diversas escolas no mundo já ensinam técnicas de meditação a seus alunos e, visto seus ótimos resultados, pode-se dizer que esta prática deve ser valorizada e incentivada.

Referências:

Meditação na Educação. Sítio da Web disponível em <http://meditacaonaeducacao.com.br/> (diversas sub-páginas consultadas). 

Stress. Apresentação de slides disponível em <http://www.slideshare.net/Lala_f/stress-63057>.

Maharishi School of the Age of Enlightenment. Sítio da Web oficial da escola disponível em <http://www.maharishischooliowa.org>

An universal etymological English dictionary 1773, London, by Nathan Bailey ISBN 1-00-237787-0. Note: from the 1773 edition on Google books, not earlier edition

Feuerstein, Georg. Yoga and Meditation (Dhyana).” Moksha Journal. Issue 1. 2006. ISSN 1051-127X, OCLC 21878732

Budismo” (“Buddhism”, versão original). (2009). na Encyclopĉdia Britannica Online Library Edition.

Ferguson P.C., et al. Descobertas fisiológicas da Meditação Transcendental. Journal of Humanistic Psychology 16:483-488, 1976.

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Dillbeck M.C. O efeito da técnica da Meditação Transcendental no nível de ansiedade. Journal of Clinical Psychology 33: 1076-1078, 1977.

Eppley K.R. et al. Efeitos diferenciais de técnicas de relaxamento ao tratar a ansiedade: Uma meta-análise. Journal of Clinical Psychology 45: 957-974, 1989

Algumas referencias aqui utilizadas não foram diretamente consultadas, mas são as fontes de outras páginas acessadas.