Extrato do trabalho apresentado no I Seminário de Meditação Laica Educacional® Aplicada em 2013 – no Colégio Pedro II.

   ” Já tinha visto em filmes e escutado alguma informação sobre meditação, mas, meditação laica educacional eu só fui conhecer no Programa de Residência Docente do Colégio Pedro II, em uma oficina ministrada pela Professora Claudiah Rato, docente de educação física.

            No momento da escolha das oficinas, ao me deparar com o nome “Meditação laica para uma educação emocional”, tive interesse. Primeiro, porque é uma possibilidade de trabalhar a inteligência emocional dos alunos, que muitas vezes ignoramos em prol de um trabalho meramente focado na inteligência relacionada à aquisição de conteúdos. Segundo, porque dentro de uma escola pública, portanto laica, o adequado é que a meditação também o seja.

            Pode-se notar como a prática de meditação é estranha aos alunos em um primeiro momento, em uma escola que constantemente oprime e condiciona seus corpos e suas mentes (Foucault, 2011). Escutar esses sujeitos faz com que pensemos de que forma a meditação pode completar as lacunas e os anseios do nosso sistema educacional, permitindo, talvez, uma ressignificação desse espaço e daqueles que nele se inserem.”

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Das respostas lidas, uma, em especial, impressionou-me. Um aluno, que sempre se senta ao final da sala, não participa de atividades em grupo e fica o tempo todo calado, respondeu que durante a meditação sente-se “estressado e com muita raiva”. Destoou completamente das respostas dadas pelos demais alunos. Se trabalhar com meditação é favorecer um autoconhecimento, como evidenciado em respostas de alguns alunos, além também de propiciar uma tranquilidade, o que será que há no interior desse aluno tão calado que, ao ficar em silêncio consigo mesmo, sente muita raiva neste autoconfronto?  

 Certamente é uma pergunta cuja resposta carece de mais tempo e de mais práticas de meditação, seja para que ele identifique o cerne desse estresse e dessa raiva, antes que ela se torne um comportamento automático, seja para que ele se sinta mais à vontade para partilhar seus sentimentos com outras pessoas, antes que isso se transforme numa ação descontrolada. Nesse sentido, relembro a fala de Goleman (apud Rato, 2011, p. 75) que afirma que “a mente racional não decide que sentimentos devemos ter, ao contrário, em geral nossos pensamentos nos chegam e provocam emoções antes mesmo de decidir se queremos senti-las” e ainda “diante disso, o que a mente racional pode fazer é controlar o curso de nossa reação”.

Segundo Rato (2011, p. 77), “ao reconhecer as próprias emoções e sentimentos, pode-se ganhar controle sobre eles, gerando um comportamento emocionalmente inteligente”.”